segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Instantes













Há loucuras que não se deve curar,
Aquelas que te dão asas para voar,
E que evitam que o barco venha a naufragar.

Há limites que foram feitos para se ultrapassar,
Aqueles que rompem barreiras,
E te desvendam as paisagens de um novo lugar.

Há emoções que não se deve temer sentir,
Aquelas que pulsam lancinantes,
Que ardem inflames do início ao fim.

Há instantes que não se devem derrogar, 
Tempos infindáveis em que um átimo de segundos,
Vale como eras na história por tanto nos ensinar.

Há vidas que não se pode evitar viver,
Aquelas que alegram que enobrecem,
Que transcendem o ser!



domingo, 4 de outubro de 2015

Resposta


Depois da resposta que recebi,
Já não poderia responder mais nada,
Fiquei assim, trinco sem tranca, abismada.

Depois das portas que abri,
Já não poderia caber em si,
Qualquer saída imaginada.

Depois das andanças em que me perdi,
Era eu, o começo do fim,
Ou o fim do começo, dessa longa estrada?

Depois da resposta que recebi,
A tarefa de cair em si,
Já não poderia ser adiada.

E foi então que percebi,
Que a vida estava em mim,
Inteiramente amalgamada!





segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Desnudar



Não me interessa a segurança das terras conquistadas,
Tudo que aprendi até aqui é quase nada,
Se os pés algum dia tiveram raízes, 
Hoje os braços são asas largas.

Tenho uma sede voraz de beber o mundo,
Meu inspirar aspira o profundo,
E me faço cega, surda e muda,
Ao que não quero ver ou escutar,
Ao que seria o desperdício da palavra,
No simples ato de falar.

Só me interessa Ser no estar de cada instante,
Inteiramente entregue, presente, constante.
Aos que se aprisionam nas trilhas atravessadas:
Quero o desbravar de novas caminhadas,
E a paz de estar junto à vida conciliada.

Deixo tudo, levo nada!



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Eclipse




Sou a brisa suave que veio te afagar,
O abraço sincero que vem de além mar,
Sou a estrela que brilha para te iluminar,

Uma cigana,
Uma sereia,
A fada boa,
A bruxa má.

Sou o anjo que abandonou as asas,
Quando a seta inverteu a direção,
E em escândalo,
O cúpido derradeiro atingiu o coração.

Sou quem te entrega o oceano para navegar,
O mergulho profundo,
Que te desvenda os mistérios do mar.

Sou o sol que nasce para te aquecer,
A chuva que cai para te embalar,
Nos sonhos que só comigo poderás ter
E irás sonhar.

Sou a poesia que aspira os poetas,
Dos músicos a inspiração,
A rima certa na incontida métrica,
Que clama teu nome em cada canção.

Sou o toque do orvalho na pétala da flor,
A te revelar nas coisas simples da vida,
A grandeza do meu amor.



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Tudo o que você pensa saber sobre adicção é errado.





Quase tudo o que pensamos saber sobre o vício está errado e se começarmos a absorver as novas provas sobre ele, acredito que nós vamos ter que mudar muito mais do que as nossas políticas de drogas.

Imagine que três vezes ao dia durante vinte dias você fizesse uso de heroína. O que aconteceria? Temos uma história sobre o que iria acontecer que nos foi dito por um século. Nós pensamos que porque existem ganchos químicos em heroína, seu corpo se tornaria dependente e você começaria a precisar deles fisicamente e no final desses 20 dias, você teria se tornado um viciado em heroína. Certo? Isso foi o que eu pensei. Mas e quando as pessoas ficam hospitalizadas por um longo período fazendo uso de diamorfina que é heroína em estado puro, por que quando recebem alta não se tornam dependentes?

O professor de psicologia em Vancouver Bruce Alexander realizou um experimento que realmente nos ajuda a entender esta questão. Ele colocou um camundongo em uma gaiola com duas fontes de água, uma em estado puro, outra misturada com heroína ou cocaína e o animal quase sempre preferiu a água alterada vindo a morrer rapidamente.

Mas o pesquisador observou que colocou o animal em uma gaiola vazia sem nada para fazer exceto usar drogas e se propôs a fazer algo diferente: construiu uma gaiola que nomeou “parque de rato” onde eles tinham queijo, um monte de bolas coloridas, túneis, um monte de amigos e sexo.

Nessa gaiola os camundongos também foram expostos a ambas fontes de água (normal e drogada), mas aqui o resultado é fascinante: no “parque de ratos”  eles não gostam da água com  drogas, eles quase nunca a usam, nenhum deles jamais a usou compulsivamente, nenhum deles jamais  teve overdose. Você vai de quase 100% de overdose quando eles estão isolados para 0% de overdose quando têm vidas felizes e conectadas.

Tais resultados se repetiram quando observados os retornos dos soldados da guerra do Vietnan de cuja tropa, 20% fazia uso de heroína. Tais soldados acompanhados nos retornos aos seus lares e desses, 95% sem passar por nenhuma espécie de reabilitação, simplesmente parou o uso, não se tornaram adictos.

Nesse contexto o pesquisador questiona-se: e se o vício não for causado pelas conexões químicas que ocorrem durante o uso prolongado da substância? E se o vício for uma resposta adaptativa ao meio ambiente?

O professor Peter Cohen na Holanda propõe que talvez não devêssemos chamar vício e sim ligação. Os seres humanos têm uma necessidade natural e inata de ligação e quando estamos felizes e saudáveis, nós vamos ligar e se conectar uns com os outros, mas se você não pode fazer isso, porque você está traumatizado ou isolado, ou abatido por vida, você vai se relacionar com algo que vai lhe dar alguma sensação de alívio. Agora, isso pode ser o jogo, a pornografia, a cocaína ou a maconha, mas você vai se relacionar e se conectar com alguma coisa, porque essa é a nossa natureza, isso é o que queremos como seres humanos.

Uma parte essencial da dependência diz respeito sobre o dependente não ser capaz de suportar estar presente em sua própria vida e ao invés de ofertar um suporte à eles, nós os punimos, envergonhamos e lhes damos registros criminais, colocamos barreiras para que eles possam se reconectar e o que devemos fazer é justamente o oposto, a mensagem a ser passada é:  você não está sozinho, nós amamos você.

Esse modo de resposta deve se dá em todos os níveis: social, político e individualmente.  Por 100 anos estivemos cantando canções de guerra sobre viciados, penso que ao longo desse tempo deveríamos ter cantado canções de amor para eles, porque o oposto do vício não é a sobriedade, o oposto do vício é conexão.