terça-feira, 3 de junho de 2014

País-Nação



A estrutura e modo de funcionamento de países em desenvolvimento como o Brasil é de modo geral bastante precário, sendo mais um projeto de nação do que uma pátria efetivamente capaz de suprir as demandas mais básicas da maioria dos seus compatriotas.
O cenário é caótico e o lugar comum mais fácil de cair é no pessimismo, no comodismo, na naturalização desse estado de coisas tão problemático, entretanto a reação necessita ser justamente oposta, ao invés de desanimar, deve servir exatamente para nos encorajar a arregaçar as mangas.
Em uma rotina estafante onde muitas vezes a luta é por sobrevivência, pergunta-se o brasileiro o que é que lhe é possível fazer? Certamente não são necessários atos heróicos com ideologias desconectadas do real.
Na diminuta dimensão individual cada passo rumo ao desenvolvimento de uma consciência cidadã, já é o princípio de transformação que por agora se faz fundamental para dias melhores no amanhã. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Da Sociedade



Se nos voltarmos para as restrições que só se aplicam a certas classes da sociedade, encontraremos um estado de coisas que é flagrante e que sempre foi reconhecido. É de esperar que essas classes subprivilegiadas invejem os privilégios das favorecidas e façam tudo o que podem para se libertarem do seu próprio excesso de privação. Onde isso não for possível, uma permanente parcela de descontentamento persistirá dentro da cultura interessada, o que pode conduzir a perigosas revoltas.
 Se, porém, uma cultura não foi além do ponto em que a satisfação de uma parte de seus participantes depende da opressão da outra parte, talvez maior - este é o caso em todas as culturas atuais-, é compreensível que as pessoas assim oprimidas desenvolvam uma intensa hostilidade para com uma cultura cuja existência elas tornam possível pelo seu trabalho, mas de cuja riqueza não possuem mais do que uma quota mínima.
Em tais condições, não é de esperar uma internalização das proibições culturais entre as pessoas oprimidas. Pelo contrário, elas não estão preparadas para reconhecer essas proibições, têm a intenção de destruir a própria cultura e se possível, até mesmo aniquilar os postulados em que se baseia. A hostilidade dessas classes para com a civilização é tão evidente, que provocou a mais latente hostilidade dos estratos sociais mais passíveis de serem desprezados. Não é preciso dizer que uma civilização que deixa insatisfeito um número tão grande de seus participantes e os impulsiona a revolta, não tem nem merece a perspectiva de uma existência duradoura.

Freud, em O Futuro de uma ilusão, Vol. XXI (1927).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dia do Trabalhador



A luta pela diminuição da carga horária de trabalho vem de longínqua data, desde o século XIX já havia manifestações em prol da redução de 16 para 8 horas... Certamente essa entre outras conquistas daí advindas foram salutares, que diga o Brasil no século XX com a aprovação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), apesar disso, há muito que se conquistar.
Ainda temos um vasto proletariado desassistido em seus direitos fundamentais (educação, saúde, moradia), obrigados a sobreviver com um salário de fome, em um sistema onde em nome do capitalismo selvagem vige a lógica da mais valia, além de ainda termos incontáveis trabalhadores que se encontram na penumbra da informalidade ou em terríveis condições análogas ou de flagrante escravidão.
1º de Maio é um marco histórico que deve ser comemorado não como uma luta que diz respeito apenas às conquistas do passado, mas como um paradigma que necessita a tempo todo ser ratificado em seu valor e renovado em sua missão frente às novas demandas que se apresentam em uma era de sociedade globalizada. Os desafios continuam exigindo consciência crítica  e engajamento para a conquista de  melhores condições de trabalho que enxerguem a humanidade do trabalhador sem lhe reduzir à continuidade de uma máquina. 
Por uma carga horária que não lhe retire a possibilidade de vivenciar plenamente a um só tempo outras dimensões de sua vida como educação continuada, esporte, lazer, entre outros, sem postergação de realizações íntimas projetadas para um futuro  de aposentadoria que não se pode afirmar ao certo que virá... Por um trabalho que não ocupe o papel de centralidade na vida, mas sim o de um entre outros elementos fundamentais à existência é que podemos ter certeza de que caminhamos mas ainda  há muito para caminhar.
                         


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Trabalho e tédio


Buscar trabalho pelo salário- nisso quase todos os homens dos países civilizados são iguais; para eles o trabalho é um meio, não um fim em si; e por isso são pouco refinados na escolha do trabalho, desde que proporcione uma boa renda. Mas existem seres raros, que preferem morrer a trabalhar sem ter prazer no trabalho: são aqueles seletivos, difíceis de satisfazer, aos quais não serve uma boa renda, se o trabalho mesmo não for à maior de todas as rendas.
A esta rara espécie de homens pertencem os artistas e contemplativos de todo o gênero, mas também os ociosos que passam a vida a caçar em viagens, em atividades amorosas e aventuras. Todos estes querem o trabalho e a necessidade, enquanto estejam associados ao prazer, e até o mais duro e difícil trabalho, se tiver de ser. De outro modo, são de uma resoluta indolência, ainda que ela traga miséria, desonra, perigo, para a saúde e a vida.
Não é o tédio que eles tanto receiam, mas o trabalho sem prazer; necessitam mesmo de muito tédio para serem bem sucedidos no seu trabalho. Para o pensador e para todos os espíritos inventivos, o tédio é aquela desagradável “calmaria” da alma, que precede a viagem venturosa e os ventos joviais; ele tem de suportá-la; ele, tem de aguardar em si o seu efeito: - é justamente isso o que as naturezas menores não conseguem obter de si! Afastar o tédio a todo custo é vulgar: assim como é vulgar trabalhar sem prazer.
Nietzsche em A Gaia Ciência.


sábado, 12 de abril de 2014

Reencontro



A inconstância vacilante,
Do derradeiro instante que te vi,
Em meio à calmaria,
A explosão da epifania!
Cinco sentidos multiplicados ao infinito,
E tudo pulsava por ti!!




sexta-feira, 4 de abril de 2014

Partida














Montes claros,                                                                                
Olhar ao longe,                                                                                       
E teu lugar,                                                                                               
Repousa ali.                                                                                                                                                      
Abristes caminho,                                                                        
Na estranha trilha,                                                                             
Que um dia eu,                                                                                  
Também ei de seguir.                                                                                                                                                
Por fim,                                                                                  
Não fostes sozinho,                                                                   
Levastes contigo,                                                                                 
pedaço de mim.