quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dia do Trabalhador



A luta pela diminuição da carga horária de trabalho vem de longínqua data, desde o século XIX já havia manifestações em prol da redução de 16 para 8 horas... Certamente essa entre outras conquistas daí advindas foram salutares, que diga o Brasil no século XX com a aprovação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), apesar disso, há muito que se conquistar.
Ainda temos um vasto proletariado desassistido em seus direitos fundamentais (educação, saúde, moradia), obrigados a sobreviver com um salário de fome, em um sistema onde em nome do capitalismo selvagem vige a lógica da mais valia, além de ainda termos incontáveis trabalhadores que se encontram na penumbra da informalidade ou em terríveis condições análogas ou de flagrante escravidão.
1º de Maio é um marco histórico que deve ser comemorado não como uma luta que diz respeito apenas às conquistas do passado, mas como um paradigma que necessita a tempo todo ser ratificado em seu valor e renovado em sua missão frente às novas demandas que se apresentam em uma era de sociedade globalizada. Os desafios continuam exigindo consciência crítica  e engajamento para a conquista de  melhores condições de trabalho que enxerguem a humanidade do trabalhador sem lhe reduzir à continuidade de uma máquina. 
Por uma carga horária que não lhe retire a possibilidade de vivenciar plenamente a um só tempo outras dimensões de sua vida como educação continuada, esporte, lazer, entre outros, sem postergação de realizações íntimas projetadas para um futuro  de aposentadoria que não se pode afirmar ao certo que virá... Por um trabalho que não ocupe o papel de centralidade na vida, mas sim o de um entre outros elementos fundamentais à existência é que podemos ter certeza de que caminhamos mas ainda  há muito para caminhar.
                         


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Trabalho e tédio


Buscar trabalho pelo salário- nisso quase todos os homens dos países civilizados são iguais; para eles o trabalho é um meio, não um fim em si; e por isso são pouco refinados na escolha do trabalho, desde que proporcione uma boa renda. Mas existem seres raros, que preferem morrer a trabalhar sem ter prazer no trabalho: são aqueles seletivos, difíceis de satisfazer, aos quais não serve uma boa renda, se o trabalho mesmo não for à maior de todas as rendas.
A esta rara espécie de homens pertencem os artistas e contemplativos de todo o gênero, mas também os ociosos que passam a vida a caçar em viagens, em atividades amorosas e aventuras. Todos estes querem o trabalho e a necessidade, enquanto estejam associados ao prazer, e até o mais duro e difícil trabalho, se tiver de ser. De outro modo, são de uma resoluta indolência, ainda que ela traga miséria, desonra, perigo, para a saúde e a vida.
Não é o tédio que eles tanto receiam, mas o trabalho sem prazer; necessitam mesmo de muito tédio para serem bem sucedidos no seu trabalho. Para o pensador e para todos os espíritos inventivos, o tédio é aquela desagradável “calmaria” da alma, que precede a viagem venturosa e os ventos joviais; ele tem de suportá-la; ele, tem de aguardar em si o seu efeito: - é justamente isso o que as naturezas menores não conseguem obter de si! Afastar o tédio a todo custo é vulgar: assim como é vulgar trabalhar sem prazer.
Nietzsche em A Gaia Ciência.


sábado, 12 de abril de 2014

Reencontro



A inconstância vacilante,
Do derradeiro instante que te vi,
Em meio à calmaria,
A explosão da epifania!
Cinco sentidos multiplicados ao infinito,
E tudo pulsava por ti!!




sexta-feira, 4 de abril de 2014

Partida














Montes claros,                                                                                
Olhar ao longe,                                                                                       
E teu lugar,                                                                                               
Repousa ali.                                                                                                                                                      
Abristes caminho,                                                                        
Na estranha trilha,                                                                             
Que um dia eu,                                                                                  
Também ei de seguir.                                                                                                                                                
Por fim,                                                                                  
Não fostes sozinho,                                                                   
Levastes contigo,                                                                                 
pedaço de mim.


terça-feira, 25 de março de 2014

Desvalidos



Nessa perversa dinâmica do capitalismo selvagem onde o ter substitui o valor do Ser seguimos retroalimentados por essa sede insaciável que nos faz voltar os olhos apenas para o nosso próprio umbigo, quando muito longe esse olhar alcança tão somente aqueles com que possuímos algum tipo de laço/vínculo e essa forma tão precária e restrita de olhar, circunscrita a um determinado perímetro serve apenas para nos anestesiar das mazelas em que muitos semelhantes estão entregues ao nosso redor.
Além de todos os aspectos da conjuntura política e social que vivenciamos em países como o Brasil, além do reconhecimento do livre arbítrio, o qual teoricamente todos possuem para opinar sobre suas escolhas, acredito que seja válido nos perguntarmos o quanto o nosso egoísmo também possui co-responsabilidade nesse cenário que na maioria das vezes testemunhamos omissos, tão imersos que estamos em nossas demandas cotidianas.
Somente assim é que esse complexo sistema pode se sustentar, apenas assim é possível compreender, tentar justificar, essa nossa anestesia frente à indignidade a que muitos semelhantes são atirados, vivendo uma não vida na busca por sobreviver... Se fossemos uma sociedade fraterna não testemunharíamos tantas mazelas que se somam sem nada fazer, na realidade muitas delas não teriam razão de existir.
Essa perspectiva que aponta o nosso egoísmo como co-responsável se espraia por muitos setores, afinal estamos mais preocupados em adquirir o próprio carro do que lutar pelo transporte coletivo, em poder pagar um plano de saúde, uma educação particular a lutar para que o sistema público funcione do modo como deveria funcionar. Estamos mais preocupados em individualmente conseguirmos nos salvar dos bolsões de miséria em que são entregues os desvalidos do que com eles lutar, em adquirir as quinquilharias que representam um passaporte para um pseudo modo de viver bem e melhor, onde o status quo é a maior preocupação na convivência social... Quanto tempo será preciso para que possamos despertar e desembaçarmos o nosso olhar?

As diferenças que criamos continuam implicando em desigualdades terríveis, sem nos darmos conta de que elas são construções feitas apenas para nos iludir, o forte continua utilizando a sua força não para ajudar o mais fraco e sim para oprimi-lo, daí o que se segue é uma débil luta entre classes, com explosões de violência para mostrar a nosso falido modo de convivência, mas isso é bem verdade Marx explica melhor... De todo modo o que  temos tido até então são vidas que valem mais do que outras e já é tempo de arregaçarmos as mangas e de consciência plena fazermos melhores escolhas, somente assim esse país, esse planeta vai para frente, por enquanto temos dado apenas voltas ao redor de si, mas lembremos que a própria terra não vive apenas de rotação, temos muito que aprender com o seu movimento de translação, afinal ele bem pode ser visto como um exemplo/convite para lançarmos o olhar para além dos limites de si...


quinta-feira, 20 de março de 2014

Constatação




Em vão procuro em outros lábios
                                      O sabor dos teus beijos,                                        
Em outros corpos
O calor dos teus braços.

Somente em teus olhos 
É que me vejo,
Apenas em teu sorriso 
É que me acho.

Mas você girou a roda da ilusão,
Cantando cantiga de enganar,
Pássaro de asas tortas,
Seu voo raso não posso acompanhar.

Seguimos então distantes,
Há um imenso mar entre tu e mim,
Falta apenas ao coração errante,
Deixar de amar-te, querer-te aqui.

Por certo esse dia,
Em algum instante virá,
Terei então minha alforria,
Desse amor que é mal amar.